Aula 1
MBA em Gerenciamento de Obras · UNIVALI · Turma IV

Gerenciamento de Suprimentos & Planejamento do Canteiro

Aula 1 — planejamento do canteiro de obras e gerenciamento de suprimentos.
Prof. Leonardo Kock — Cartesian Engenharia Carga: 20h (disciplina) · Aula 1 = 10h Campus Itajaí · 26–27/06
§
Antes de começar

Quem fala com vocês — e de onde eu venho

2 minutos sobre mim e sobre a Cartesian, pra vocês saberem de onde vem cada número de hoje.
O professor

Leonardo Kock

Por que isso importa pra aulaTodo número que eu trouxer hoje vem de obra real e de orçamento que a gente fecha — não de slide de livro.
A empresa

Cartesian Engenharia

333+
empreendimentos
4,5M m²
área orçada
166
clientes
12
estados
O portfólio

Isso vira obra de verdade

Empreendimento Monolyt, Balneario Camboriu
MonolytBalneário Camboriú
Empreendimento Chelsea, Itajai
ChelseaItajaí
Empreendimento Parkside, Florianopolis
ParksideFlorianópolis

Custos, prazo e BIM em obras de incorporação — pra clientes como FG (Scenarium, Blue Coast), Mussi (Oxford 600) e Gessele (Elizabeth II). Mais de 330 empreendimentos no Brasil.

O que a gente entrega não é economia. É previsibilidade — a obra fecha na margem que o incorporador imaginou no lançamento.

— previsibilidade, não sorte. E é no canteiro e nos suprimentos que essa margem se ganha ou vaza.
O roteiro dos 2 dias

Do plano ao canteiro ao caminhão

  1. Nivelamento — recap rápido de planejamento
  2. Gestão do planejamento — Last Planner, look-ahead e PPC
  3. Recursos — histograma e nivelamento de efetivo
  4. O canteiro como sistema — e quanto ele custa
  1. Layout, transporte e vivência — NR-18, grua, elevador
  2. Canteiro enxuto — Lean, 5S e as perdas
  3. Suprimentos — comprar e abastecer (sábado)
  4. Exercícios — layout + cronograma de compras
§
Recap

Planejamento de obras: o que vocês já viram

15 minutos de ponte pra falarmos a mesma língua — sem aprofundar.
Recap rapido

A tríade que vocês já conhecem

SínteseIsso responde QUANDO e EM QUE ORDEM.

O cronograma diz o que fazer e quando. O canteiro e os suprimentos decidem se vai acontecer.

— a ponte de hoje
Como a gente vai operar hoje

Do plano à obra, em 3 camadas

Começamos pela gestãoO sistema que conecta o cronograma macro ao que a equipe faz amanhã — e que puxa o canteiro e as compras.
§
Gestão do planejamento

Last Planner: do cronograma ao canteiro

O sistema que faz o plano sobreviver à obra — e que puxa os suprimentos.
O problema

O cronograma macro não sobrevive ao canteiro

O número que dóiSem gestão sistemática, o PPC médio fica em ~50% — metade do que se planeja pra semana não acontece.
As 3 camadas do Last Planner

Longo, médio e curto prazo

CamadaHorizontePergunta-chave
Longo — master plan / cronogramaa obra todao que PRECISA ser feito
Médio — look-ahead6 a 8 semanaso que PODE ser feito (está livre?)
Curto — programação semanal1 a 2 semanaso que SERÁ feito (compromisso)
O cronograma da rede/CPM é a camada longa. O Last Planner acrescenta o médio e o curto — e é aí que a obra acontece.
Médio prazo — look-ahead

Olhar 6 a 8 semanas à frente

Análise de restrições

As 7 coisas que travam um serviço

RestriçãoExemplo na obra
Materialesquadria não chegou (lead time) — causa nº 1
Projetodetalhe não compatibilizado
Mão de obraequipe não contratada / realocada
Equipamentogrua ou balancim indisponível
Espaço / acessopavimento anterior não liberou
Técnicocura do concreto, reboco não secou
Aprovaçãolaudo ou liberação do cliente
Resolver a tempo

A linha do tempo da restrição

  1. 6 semanas antes — identifica TODAS as restrições do serviço.
  2. 4 semanas antes — começa a resolver: cobrar, comprar, contratar.
  3. 2 semanas antes — tudo precisa estar livre.
  4. Na semana — só entra na programação o que NÃO tem restrição pendente.
Curto prazo — programação semanal

Só se promete o que se pode cumprir

A virada de chaveParar de "empurrar" o que não dá pra fazer e só comprometer o que está pronto pra acontecer.
PPC — o termômetro semanal

Percentual de Programação Concluída

PPC
tarefas concluídas ÷ programadas
80%+
meta de uma obra bem gerida
~50%
média sem gestão (o ponto de partida)
O que importa não é o númeroÉ a análise de por que não cumpriu. Toda semana o sistema aprende — e a causa nº 1 quase sempre é material.
A reunião semanal

55 minutos que seguram a obra

Resultado realObra de 15 pavimentos: PPC subiu de 48% para 78% em 12 semanas — sem mudar o cronograma, só a gestão.
Antes de seguir — chute

Qual restrição mais atrasa a obra?

§
Gestão do planejamento · recursos

Histograma: quantas pessoas, e quando

O Last Planner diz o QUE e o QUANDO. O histograma responde QUANTOS — e ensina a nivelar o efetivo.
O que é

A curva de efetivo da obra

Lembrete da fórmulaDuração = Quantidade ÷ (Produtividade × nº de equipes). É a equipe de cada serviço que alimenta o histograma.
O que a curva denuncia

3 problemas que o histograma mostra

ProblemaO que acontece na obra
Pico alto demaisvivência lotada, logística caótica, encarregado sem supervisionar — e gente demais pra contratar e dispensar rápido
Vale profundoequipe ociosa entre serviços: você paga sem produzir
Subida bruscasair de 10 pra 35 operários numa semana: não dá pra contratar e treinar tão rápido
A metaUma curva suave: sem picos que estouram o canteiro, sem vales que pagam ociosidade.
A folga como ferramenta

Nivelar é um jogo de Tetris

O pulo do gatoMesmo prazo, mesmo escopo — só remanejando dentro das folgas, o pico cai e o canteiro respira.
Experimente — arraste o controle

Nivele o efetivo usando a folga

operários tempo → pico
semana de pico do efetivo efetivo nas demais semanas

O pico do histograma é quanta gente o canteiro precisa caber ao mesmo tempo.

— por isso a vivência se dimensiona pelo pico de efetivo. Agora, ao canteiro.
§
O canteiro

Planejamento do Canteiro de Obras

A obra como sistema produtivo: layout, logística e Lean.

O canteiro é a fábrica que você monta pra fabricar um produto que nunca mais vai fabricar igual, num lugar onde nunca mais vai produzir, com uma equipe que se desfaz no fim.

— a maldição e a beleza da construção
Definição operacional

O canteiro é um sistema de produção

Regra de bolsoO canteiro custa tipicamente 3% a 6% do custo direto da obra.
O ganho oculto

Pra onde vai o tempo do operário

40%
agrega valor (mão na massa)
60%
transporte, espera, retrabalho
LeanReduzir distância de transporte é o jeito mais barato de “contratar gente sem contratar gente”.
Perdas fisicas (benchmark Finep/EPUSP)

O material que vira entulho

9%
concreto
11%
aço
27%
blocos (até)
40%
areia
Dói no bolsoToda caçamba de entulho foi paga 2x: quando comprou o material e quando paga pra jogar fora.
6 vetores de impacto

Por que o canteiro importa

SínteseCanteiro não é onde a obra acontece — é o que decide se ela acontece.
§
O método

Como se dimensiona um canteiro

Não se chuta: tudo escala a partir do efetivo de pico. Norma (NR-18 / NR-24) + a prática Cartesian.
A ordem certa

Dimensionar em 4 camadas

  1. Efetivo de pico — quantas pessoas no máximo (vem do histograma).
  2. Vivência — sanitário, vestiário, refeitório, pelo nº de gente (NR-18 / NR-24).
  3. Produção e apoio — centrais, almoxarifado, pátios (por área e produção).
  4. Utilidades — água, energia e esgoto, pela demanda da obra.
A regra de ouroDimensione sempre pelo pico de efetivo, nunca pela média — senão falta banheiro e bebedouro justo na hora de mais gente na obra.
Camada 1 — o motor de tudo

A conta do efetivo

N = Área construída × Pm (h/m²)Prazo (meses) × 180 h/mês
Pm — índice de mão de obra, ~40 a 50 h/m² 180 — horas por mês de cada trabalhador
Villa Vauban (real)22.311 m² × 43 h/m² ÷ (48 meses × 180) = 112 trabalhadores. Obra maior ou mais rápida = mais gente = canteiro maior. Tudo desce daqui.
Camada 3 — áreas de produção e apoio

Quantos m² para cada central

InstalaçãoCritérioReferência
Central de armação (aço)acomodar barra de 12 m — a que mais pede espaço~60 m² / 30 op. (SINAPI)
Central de fôrma e argamassabancada + estoque de uso15 m² cada (Cartesian)
Almoxarifado geralvolume dobra ao longo da obra~150 m² (Cartesian)
Armazenamento por pavimento~3 m² por unidade habitacional, rateadoCartesian
Baias de agregado3,0 × 3,0 m; pilha até 1,5 mprática de obra
Decisão primeiraPosicione a central de armação e o elevador de carga antes de tudo — são eles que condicionam todas as outras áreas.
Quanto canteiro no total

A área do canteiro é uma soma, não um %

Na práticaProjeção da obra + canteiro mínimo passando de ~90% do terreno = canteiro restrito: aí o transporte vira vertical e a logística aperta.
Camada 4 — água, energia, esgoto

Dimensionar as utilidades

UtilidadeCritério de demanda
Água~50 L/operário/dia (NBR 13969) — 45 sem cozinha, 65 com cozinha na obra
Reservatório1 a 2 dias de consumo (humano + produção)
Esgoto~50 L/pessoa/dia; fossa + filtro/sumidouro sem rede
Energiasoma das cargas (grua 26-33 kVA, elevador, betoneira, serra) × fator de demanda
Pontos de água1 a cada 20 operários (Cartesian)
Erro comumSuperdimensionar a energia: contratar demanda muito acima da real custa caro o mês inteiro. Some as cargas reais e aplique o fator de demanda.
Segurança — o que NÃO escala com gente

Proteção coletiva é geometria

Proteção (EPC)Como se dimensiona
Tela fachadeiraperímetro × pé-direito de cada pavimento (≈ área de fachada)
Guarda-corpo de desforma / linha de vidaperímetro da torre × nº de pavimentos
Bandeja de proteçãoperímetro de projeção × nº de reinstalações
Tapumeperímetro do terreno × 2,40 m de altura
O contrasteVivência e ferramentas escalam com o efetivo; a proteção coletiva escala com a geometria do prédio (perímetro, fachada, nº de lajes). Dois motores diferentes no mesmo canteiro.
Pra não ensinar número velho

Norma × prática: 4 alertas

A sínteseA norma dá o piso (segurança); a prática Cartesian dá os índices de projeto. Os dois juntos viram um canteiro dimensionado — e, na sequência, orçado.
A ficha que fecha as 4 camadas

Ficha de dimensionamento ao vivo

112
trabalhadores de pico — tudo escala daqui
Camada 2 · Vivência (NR-18 / NR-24)
Camada 3 · Produção e apoio
Camada 4 · Utilidades & área total
R$
Do projeto ao orçamento

Quanto custa um canteiro?

A regra de bolso da literatura — e o que a nossa base de obras reais mostra.
Regra de bolso × dado real

O que o livro diz × o que a obra mostra

A literatura
Instalação do canteiro: 3% a 6% do custo direto da obra.
É média de manual — serve pra um chute inicial, não pra fechar orçamento.
Nossa base — 13 obras Cartesian
Linha de canteiro (provisórias) sobre o custo total:
p25 0,2% · mediana 1,55% · p75 3,3% · p90 6,7%
Varia muito: porte, prazo e padrão mudam tudo.
Cuidado com o denominador"3-6%" é sobre o custo direto; a nossa linha é sobre o custo total e cobre só o canteiro físico. O custo indireto cheio — administração local, equipe, operação — é bem maior. Vamos abrir.
Como a Cartesian monta o número

Anatomia do custo de canteiro

Grupo (dentro do custo indireto)O que entra
Serviços técnicossondagem, estudo e projeto de canteiro
Preliminares + canteirotapume, placa, portão · containers, refeitório, vestiário, almoxarifado, escritório, mobiliário, plano logístico
Ligações provisóriaságua, energia, esgoto, bombeamento, tratamento de efluente
Operação da obraágua/luz/internet, limpeza, entulho, manutenção, EPCs, vigilância e portaria
Equipe indiretaengenheiro, mestre, almoxarife, estagiário, técnico de segurança
O que pega muita genteO canteiro físico (container, tapume) é só uma fatia. O grosso é manter a obra rodando: operação e equipe indireta correm o prazo inteiro.
Caso real — obra residencial, 2 torres

Onde o dinheiro realmente vai

Item (custo indireto)R$/m²% da obra
Serviços iniciais (mobilização, preliminares)67,032,55%
Instalação e manutenção do canteiro7,330,28%
Administração local (equipe indireta)48,031,83%
Obra completa (referência)2.627100%
A virada de chaveO canteiro físico (central, almoxarifado, container) é só 0,28%. A administração local — a equipe que toca a obra todo mês — é mais de 6× maior. No fundo, o custo do canteiro é o custo de manter gente coordenando do início ao fim.
Abrindo o canteiro físico — obra real, 112 funcionários

O que tem dentro da linha do canteiro

Componente do canteiro físicoComo dimensionaR$
Instalações provisóriascentrais (aço/fôrma/argamassa), armazenamentos, almoxarifado, construções temporárias142.343
FerramentasR$ 800 / funcionário × 11289.600
EPIR$ 500 / funcionário × 11256.000
InformáticaPCs, impressora, rede35.500
Mobiliáriomesas, cadeiras, ar-condicionado, armários20.200
Sinalizaçãoplacas e totem de obra7.891
Total do canteiro físico ≈ 351.500
O gancho com o histogramaFerramentas e EPI são por funcionário — sobem com o pico de efetivo. Quanto maior a curva de gente, maior o canteiro físico e a vivência. Por isso dimensionar o efetivo vem antes de orçar o canteiro.
O que faz o número subir ou descer

O que dirige o custo do canteiro

Na práticaPor isso a gente não usa "3-6% e pronto": parte das composições reais e ajusta pelos drivers da obra.
§
Linha do tempo

Fases do canteiro

O canteiro é um filme, não uma foto: nasce, cresce, atinge o pico e morre.
Visão geral

O ciclo de vida do canteiro

  1. Implantação — montar a fábrica no terreno.
  2. Crescimento — a estrutura sobe, ciclo por ciclo.
  3. Pico — efetivo máximo, acabamento.
  4. Desmobilização — desmontar e entregar.
Curva de efetivoFormato de sino: começa baixa, sobe na estrutura, platô no acabamento, cai na entrega.
Fase 1

Implantação: montar a fábrica

Erro clássicoMontar vivência ou estoque onde depois passa o caminhão-bomba ou a grua não alcança.
Fase 2

Crescimento: a estrutura sobe

MigraçãoO estoque do térreo recolhe; pavimentos já concretados viram área de apoio.

O pico de gente é no acabamento, não na estrutura.

— o contraintuitivo do canteiro
Fase 3

Pico: dezenas de equipes juntas

Logística finaMaterial caro e frágil (porcelanato, louças) entra just-in-time por pavimento.
Cola rapida

A regra de bolso das fases

ResumoTrês fases, três gargalos diferentes — cada um manda em um recurso.
Tenho espaço ou não?

Canteiro restrito x amplo

Restrito / Urbano (vertical)
Gargalo: espaço de chão
Estoque mínimo, JIT forçado
Transporte vertical é tudo
Vivência sobe no próprio prédio
Logística externa crítica (rua, vizinho)
Amplo / Horizontal
Gargalo: distância
Estoque amplo, risco de excesso
Transporte horizontal pesado
Vivência espalhada em pátio
Múltiplas frentes simultâneas
§
Engenharia de fluxo

Layout do canteiro

Não é decoração de planta: é minimizar movimentação e separar fluxos.
Como se projeta um layout

Método SLP (Systematic Layout Planning)

  1. Localização — onde cada setor entra no terreno (análise preliminar).
  2. Arranjo geral — zonear por proximidade (a matriz A-E-I-O-U-X) e por fluxos.
  3. Arranjo detalhado — dimensionar cada instalação e posicioná-la.
  4. Implantação — cronograma de montagem e desmontagem ao longo da obra.
O que governaMinimizar fluxos × distâncias. As decisões primeiras — posição do elevador/guincho de carga e da central de armação — condicionam todo o resto. (Muther, 1978; Saurin & Formoso)
Os fundamentos

5 princípios do layout

EspagueteSe as linhas das viagens repetitivas cruzam em tudo, o layout está errado.

Regra de ouro do layout: o fluxo de pessoas não cruza o fluxo de carga.

— cruzamento com caçamba ou raio de grua é fatalidade
O método SLP na prática

Matriz de proximidade (A-E-I-O-U-X)

A absolut. E especial I important. O normal U indif. X proibido
Clique numa célula
A matriz de Muther cruza cada par de instalações e diz o quanto elas querem estar perto (A) ou longe (X). Na obra, comece resolvendo os X e os A.
O resultado: zonas + fluxos separados

Diagrama de zoneamento

TORRE prumada grua elev. carga elev. passag. Refeitório Vivênciavestiário/sanit. Almoxarifadobaias/pátio Centraisarmação/concreto Resíduo PORTARIA
Fluxo de pessoas — portaria → vivência e refeitório → elevador de passageiro. Tudo à esquerda.
Fluxo de carga — portaria → almoxarifado e centrais → grua e elevador de carga. Tudo à direita.
Os dois fluxos não se cruzam — a regra de ouro, agora desenhada. A poeira das centrais fica longe do refeitório; o resíduo sai junto da saída.
Anatomia

Os setores do canteiro

Decisão logísticaAço cortado/dobrado e concreto usinado eliminam centrais no canteiro.
Galeria de horrores

Erros comuns de layout

AtençãoLayout ótimo na fundação pode virar inferno no acabamento — preveja a evolução.
Estoque

Armazenar é proteger capital

EquilíbrioEstoque demais é capital parado e perda; de menos é obra parada esperando entrega.
Material x guarda x perda

Como guardar cada material

MaterialComo guardarPerda típica
CimentoCoberto, estrado, até 10 sacos, FIFOEmpedra (lote velho/úmido)
AçoDescoberto mas elevado, por bitola~11%
BlocosPaletizado, perto da prumada~13 a 27%
Areia / britaBaias separadas, piso firmeAreia ~40%+
Esquadrias / louçasCoberto, em pé, embalado, JITCada peça = prejuízo
§
Mover material

Logistica e transporte

Onde mora boa parte do desperdício de homem-hora.
No plano

Transporte horizontal

Regra de bolsoUse o menor equipamento que resolve a distância — mas pare de carregar nas costas o que um pallet resolve.
O coração do canteiro vertical

Transporte vertical

EquipamentoMoveCapacidadeQuando usar
Grua-torreCarga pesada~1 a 2,5 t na pontaEdifício alto, estrutura
Elevador cremalheiraPessoas + material~1 a 3 t / 10 a 25 pess.Acabamento (pico de gente)
Guincho de colunaMaterial leve~200 a 500 kgObra pequena (não leva pessoas)
Bomba de concretoConcretoLança ~24 a 36 mConcretagem (lança / estacionária)
Quando a lei obriga

Gatilhos da NR-18 (item 18.14)

A partir deO que vira obrigatório
Altura ≥ 10 mTransporte vertical de material motorizado — acabou subir no braço
8+ pavimentos com 30+ trabalhadoresElevador de passageiro (cremalheira) a partir da 7ª laje
12+ pavimentosElevador de passageiro sempre obrigatório (independe do efetivo)
Mito de obraNão existe regra “1 grua atende X m²” nem ciclos/hora de bolso. Grua e elevador se dimensionam por estudo de cargas e de ciclos (plano de cargas) — nunca por índice pronto.
3 dimensões

A grua-torre

Momento de cargaA capacidade cai com a distância: carga pesada perto da torre, leve na ponta.
Por que pesado perto, leve na ponta

A conta da grua: momento de carga

torre 60 m da torre envelope de carga admissível
4,8toneladas admissíveis
momento de carga ≈ 120 t·m (constante)
Momento = carga × raio. O mesmo momento dá muito peso perto da torre e pouco peso na ponta. Lança 30–80 m, ponta 1–5 t; a grua puxa 26–33 kVA (entra na demanda elétrica).
O ônibus vertical

Elevador cremalheira

ComplementarGrua e elevador não se substituem — dominam fases diferentes.
Dedicada ao concreto

Bomba de concreto

Bomba-lança (autobomba)
Lança articulada distribui no ponto
Alcance ~24 a 36 m
Rápida e flexível
Altura/distância moderada
Bomba estacionária
Fixa no térreo + tubulação rígida
Alcança grandes alturas
Sobe pela obra por tubo
Edifício alto / arranha-céu
Comparador interativo

Grua, elevador ou os dois?

Cola da decisao

Regras de bolso: grua x elevador

NuncaElevador não substitui grua na estrutura; grua não substitui elevador no acabamento.
§
Obrigatorio por lei

Áreas de vivência e NR-18

Vivência digna não é capricho: é lei e retém mão de obra.
NR-18 item 18.5.1

O que é obrigatório na vivência

DimensionarSempre pelo PICO de efetivo — errar gera fila, insalubridade e multa.
Números oficiais

As proporções da NR-18

ItemProporçãoDistância
Vaso sanitário1 : 20 trabalhadoresSanitário a até 150 m do posto
Lavatório1 : 20
Mictório1 : 20
Chuveiro1 : 10
Bebedouro1 : 25Até 100 m horizontal / 15 m vertical
Calculadora ao vivo · NR-18

Dimensione a vivência pro seu efetivo

Proporções NR-18 (18.5); vestiário pela fórmula NR-24; refeitório em referência de projeto. Dimensione sempre pelo PICO.
NR-18 item 18.13

Proteção contra quedas

Mudou em 2020O antigo PCMAT virou PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) na NR-18.
A rede de utilidades

Instalações provisórias

A esquecidaObra que não planeja drenagem trabalha no barro no 1º temporal — e aí tudo para.
§
Sistema Toyota

Canteiro enxuto (Lean)

Separar o que o cliente paga do que ele não paga.

O cliente paga pela parede pronta, não pelo pedreiro andando, esperando ou refazendo.

— a ideia central do Lean
TIMWOODS · parte 1

As 7+1 perdas no canteiro

Alvo do LeanEsses são os ~60% do tempo que não agrega valor.
TIMWOODS · parte 2

As 7+1 perdas no canteiro (cont.)

RetrabalhoParede fora de prumo paga material e mão de obra de novo — e ainda atrasa.
Na prática

Ferramentas Lean no canteiro

IndicadorPPC (Last Planner): % do planejado que foi concluído — meta acima de 80%.
Exercício em grupo

Projete o layout de um canteiro

  1. Zoneie o terreno-tipo: produção, centrais, estoque, vivência, portaria.
  2. Posicione a grua de modo a cobrir toda a planta sem invadir o vizinho.
  3. Posicione a vivência dimensionada pelo pico, longe de área suja.
  4. Defina os acessos separando fluxo de pessoas do de carga.
  5. Ache o gargalo de cada fase: implantação, estrutura e acabamento.
Gabarito comentado

Layout do canteiro: como resolver

Não há layout únicoHá vários certos. O errado é o que cruza pessoas com carga, enterra estoque longe da prumada ou ignora a evolução das fases.

A restrição de material no look-ahead é exatamente o gatilho do cronograma de compras.

— por isso gestão do planejamento e suprimentos andam juntos. Agora, aos suprimentos.
2
Sábado 27/06 · 6 horas

Gerenciamento de Suprimentos

Objetivo: garantir que o material certo chegue na hora certa — sem ruptura, sem capital parado, sem obra parada esperando.
Hoje · sábado — Suprimentos

O roteiro de hoje

  1. Por que suprimentos quebra obra
  2. Do orçamento ao plano de compras + curva ABC
  3. Lead times — o tempo que você não controla
  4. Cronograma de suprimentos (quando comprar cada coisa)
  1. Look-ahead × compras — antecipar a falta
  2. Gestão de estoque no canteiro
  3. Fornecedores, cotação e contratos
  4. Indicadores + exercício
Pergunta pra começar

De cada R$ 100 que entram na obra, quanto vira material?

O peso dos suprimentos

Material é metade da obra

50–60%
do custo total da obra é material
30–35%
dos atrasos no curto prazo: falta de material
50%
PPC médio no Brasil sem gestão (metade do plano não acontece)
A realA causa nº 1 de atraso semanal é material que não chegou — quase sempre item de lead time conhecido, que dava pra antecipar com uma planilha simples.
O que é a cadeia de suprimentos

Da necessidade à entrega no canteiro

Onde tudo começaA mesma EAP do orçamento que virou cronograma agora vira plano de compras. Terceira face da mesma moeda.
Por que o plano não se cumpre

As causas de não-cumprimento

O que faz a programação semanal falhar (obras sem gestão sistemática)
CausaPesoQuem resolve
Falta de material30–35%Compras / antecipação
Falta de mão de obra15–20%RH / mestre
Pré-requisito não concluído15–20%Campo
Retrabalho10–15%Qualidade
Clima / projeto / mudança10–20%Vários
Boa notíciaA maior fatia (material) é a mais previsível e evitável — é o que vamos atacar hoje.
Do orçamento ao plano de compras

Você não compra tudo igual

A ferramentaA Curva ABC separa o que merece atenção de comprador sênior do que é compra de rotina.
Curva ABC de materiais

Poucos itens, muito dinheiro

~80% do valor
A
~20% dos itens
aço, concreto, elevador, esquadrias
~15%
B
~30% dos itens
revestimentos, louças
~5%
C
~50% dos itens
parafusos, EPI, consumo
Classe A: controle rigoroso, comprador sênior, contrato. Classe C: estoque simples, compra automática.
§
Seção B3

Lead time: o tempo que você não controla

O fornecedor tem o ritmo dele. Seu trabalho é antecipar.
O conceito

Lead time = pedido entrega

Lead times típicos — residencial vertical

Quem comprar cedo, quem deixar pro look-ahead

Lead LONGO — comprar nos 1ºs meses
Elevador: 90–120 dias (+ montagem 60–90)
Esquadria de alumínio: 45–60 dias
Louças/metais importados: 60–90 dias
Granito, vidros, portas sob medida: 30–45 dias
Gerador, guarda-corpo inox: 30–90 dias
Lead CURTO — comprar no look-ahead
Concreto usinado: 1–3 dias
Aço CA-50: 7–15 dias
Blocos, cerâmica: 3–15 dias
Tintas, argamassa: 3–7 dias
Material elétrico, tubos PVC: 3–10 dias
O contra-intuitivoO elevador instala no fim da obra, mas o contrato fecha quando a obra ainda está na fundação. Lead longo = compra cedo.
A conta que evita a ruptura
Data do pedido =
Necessário na obra − Lead time − Margem
Exemplo: esquadrias necessárias na semana 24 lead time 9 semanas margem 2 semanas → pedir na semana 13
Simulador — vai chegar a tempo?

Esquadrias: quando pedir?

lead 9 sem
semana 0semana 15semana 30
Antecipar a falta

Look-ahead: olhar 6 a 8 semanas à frente

Os dois andam juntosO cronograma de suprimentos diz quando comprar (estático); o look-ahead cobra toda semana (dinâmico). Juntos, o material nunca falta de surpresa.
O elo com o Last Planner

A reunião semanal puxa as compras

Fecha o ciclo da sextaFoi o que vimos no início: o médio prazo remove a restrição, o curto prazo só programa o que está livre. Material é a restrição nº 1 — e agora ela tem dono.
§
Seções B6 a B8

Estoque, fornecedores e controle

O material chegou. Agora: guardar bem, comprar bem e medir.
O dilema do estoque

Estoque demais ou de menos?

Estoque DEMAIS
Capital parado (dinheiro no almoxarifado)
Ocupa espaço no canteiro
Perda: quebra, roubo, vencimento, chuva
Estoque DE MENOS
Ruptura: a obra para esperando material
Compra emergencial (mais cara)
Equipe ociosa = custo correndo
O equilíbrioItens de alto consumo pedem estoque mínimo de segurança. Itens de lead curto e baixo valor podem ir no just-in-time.
Estoque mínimo / ponto de pedido

Quando disparar a próxima compra

Ponto de pedido = Consumo no lead time + Estoque de segurança
Exemplo — blocos cerâmicosConsumo 5.000/semana, lead 1 semana, segurança 1 semana → quando o estoque chega a 10.000 blocos, faz o novo pedido. Nunca deixa zerar na quinta com entrega só na terça.
Fornecedores e cotação

Comprar bem é processo, não sorte

Contratos e recebimento

Fechar e conferir

Erro caroReceber sem conferir = pagar por material errado, quebrado ou a menos — e descobrir só quando a equipe vai usar.
Como se contrata fornecimento e serviço

Modalidades de contrato

ModalidadeComo funcionaQuando usar
Preço global (empreitada)valor fechado pelo escopo todoEscopo definido; risco vai pro fornecedor
Preço unitáriopaga por quantidade medida (R$/m², R$/kg)Quantidade incerta; mede o executado
Administração (custo + taxa)reembolsa custo + % de gestãoEscopo aberto; exige confiança e controle
Fornecimento + montagemmaterial e instalação no mesmo contratoElevador, esquadria, fachada
Cláusulas que salvamPrazo com multa por atraso, reajuste, entregas parceladas e retenção liberada no recebimento conforme — não na assinatura.
Indicadores de suprimentos

O que medir

IndicadorO que dizMeta
Pedidos entregues no prazoconfiabilidade do fornecimento> 90%
Índice de rupturaquantas vezes faltou material≈ 0
PPC por falta de materialatrasos semanais por compracair a cada mês
Giro de estoquecapital parado no canteiroalto (pouco estoque)
Economia em cotaçãoganho das 3 propostasacompanhar
O sistema que costura tudo

ERP de obra: do orçamento ao financeiro

  1. Orçamento (a EAP) entra como base — o que foi previsto comprar.
  2. Compras puxam do orçamento: cotação e ordem de compra amarradas ao item orçado.
  3. Estoque dá entrada pela nota e baixa pelo consumo da frente.
  4. Medição de empreiteiro e financeiro (contas a pagar) fecham o ciclo.
Por que importaNo Sienge (ou similar) o comprado conversa com o orçado: dá pra ver desvio de custo em tempo real e travar pedido fora do previsto. Suprimentos vira controle, não papelada.
Decisão de obra — chute

A obra está na fundação (mês 2). Quando fechar o elevador?

Exercício do dia ⏱ em grupo

Montar o cronograma de suprimentos

  1. Peguem a EAP da obra-tipo e listem os 10 materiais de maior valor (classe A).
  2. Para cada um: quando é necessário na obra + lead time + margem.
  3. Calculem a data do pedido (necessário − lead − margem).
  4. Marquem os itens de lead longo que já estão atrasados se a obra começou hoje.
  5. Montem o look-ahead de 6 semanas e cruzem com as compras.
Gabarito comentado

Cronograma de suprimentos: como resolver

Material (classe A)NecessárioLeadMargemPedir até
Elevadorsemana 7016 sem4semana 50
Esquadria de alumíniosemana 4092semana 29
Louças / metaissemana 60102semana 48
Aço CA-50 (1º lote)semana 621semana 3
A leituraSome lead + margem e ande pra trás a partir da data de uso. Os de lead longo (elevador, esquadria) já estão no caminho crítico das compras com a obra ainda na estrutura — são os que “atrasam parados”.
Exercício integrador fecha a disciplina

Um caso, os três eixos juntos

Obra: 12 pavimentos, 22.000 m², 40 meses, pico de efetivo ~110 pessoas. Esquadria de alumínio (lead 9 semanas) necessária na semana 30.
  1. Planejamento — confirme o efetivo de pico pela fórmula e leia o histograma: onde está o pico?
  2. Canteiro — dimensione a vivência por esse pico e decida o transporte vertical (12 pav → o que a NR-18 obriga?).
  3. Suprimentos — trave a data de pedido da esquadria e diga se, começando hoje, ela já está atrasada.
  4. Amarra — mostre como a restrição da esquadria entra no look-ahead e na reunião semanal.
A síntesePlanejar diz QUANDO; o canteiro e os suprimentos fazem ACONTECER. Quem enxerga os três juntos não é pego de surpresa.
Próximo fim de semana · 03–04/07

O que vem na Aula 2

Integração e controle
Last Planner completo — médio e curto prazo, PPC, causas de não-cumprimento na sua obra
Controle físico-financeiro — curva S, avanço medido e valor agregado (EVA)
Canteiro × suprimentos × execução num só fluxo
Suprimentos avançado
Contratos e ERP na prática — medição, aditivo, Sienge
Casos reais Cartesian — o que deu certo e o que quebrou
Trabalho final da disciplina (se a coordenação pedir avaliação)
TragamUma obra de vocês (real ou recente): vamos aplicar o método nela, do canteiro ao cronograma de compras.
Fim da Aula 1

O que vocês levam pra obra

O canteiro é uma fábrica temporária: layout, fluxos e transporte definem a produtividade.
Dimensione pelo gargalo de cada fase: vivência pelo pico, vertical pela estrutura, acessos pela implantação.
Material é metade da obra — lead time + cronograma de compras + look-ahead = material na hora certa.
Canteiro enxuto: só o que agrega valor; andar, esperar e refazer é perda a eliminar.
Aula 2 (próximo fim de semana): integração, controle e aprofundamento. · Leonardo Kock · Cartesian Engenharia
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